quinta-feira, 1 de março de 2012

"Quando começa assim,

...logo a pessoa vira polivalente, feito eu"
Quem disse isso pra mim foi a Carla, uma professora do 3º ano do colégio onde trabalho, comentando a quantidade de caixas e sacolas que carrego pra cima e pra baixo, pro bem da criatividade das crianças e pro mal da minha coluna.
Então comecei a pensar em fotografar os trabalhos em sala de aula. O primeiro trabalho que fotografei ainda é um pouco tímido; faz parte de um projeto de Valentine's Day. As crianças fizeram cartões de Valentine's Day (comemorado no dia 14 de fevereiro nos EUA) umas para as outras, conscientes de que esse dia não é um dia de simples celebração de namorados, mas também de celebração do amor entre familiares e amigos. Aqui vai um registro dos cartões, que serão colados em um cartaz que será colocado em uma parede da sala de aula. 
Comecei no 2ºA, período manhã

Espero continuar disposta :)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Vida!

Para ler ouvindo: Vida Louca Vida - Cazuza
Primeiro de tudo: Feliz ano novo! ahiehahe
Tem coisa melhor que passar as férias com o Amore? Certeza que não.
Passamos sete dias em Morungaba, no interior de SP, cidadezinha que vivo citando, onde ficamos na chácara da minha madrinha, sozinhos. Pegamos o colchão da cama e o colocamos no chão da sala, de onde só tiramos no dia em que fomos embora. Adorei cozinhar pro Mo, passear com ele, pular no colchão e dar cambalhota.
Nem pentear o cabelo a gente penteava mais
Essa viagem aconteceu na semana anterior ao Natal, e nós voltamos pra SP no dia 23 de dezembro. As festividades de final de ano foram comemoradas com nossas famílias e fiz questão de ficar no aniversário da minha mãe. Então, dia 13 de janeiro, fomos para Monte Verde, em Minas Gerais, na serra.
Tudo lá é lindo de olhar. Tirando o péssimo estado das estradas, não há do que se reclamar. Ficamos em um hotel fazenda por cinco dias. Assim que chegamos lá, descobrimos um salão de patinação no gelo. Eu fui toda linda e calorosa me achando A patinadora do gelo, né? Saí deslizando pelo piso escorregadio naquela lâmina fina em movimentos sutis e velozes... O resultado? Caí de bunda no gelo, soltando um grito de desespero de quem estava morrendo de medo de bater o cóccix no chão e ficar paraplégica e levantando aquela nuvem de gelo em volta. Vieram o Du e o instrutor e me levantaram. Roxa de vergonha, me levantei com a bunda molhada e fingi que não tinha acontecido nada.
Depois dessa aventurança que me rendeu uma boa e divertida dor nas costas, passamos o dia sossegados, deitados na rede do chalé. Já no segundo dia, resolvemos fazer arvorismo. Tudo muito lindo e muito legal; os obstáculos não pareciam difíceis, nem estou com medo!, pensei eu, inocente. Assim que cheguei na fase em que você atravessa por um fio de aço para chegar à outra plataforma, ME DESESPEREI. Sério, gente. Agarrei a árvore igual a um macaquinho. O monitor tentava me convencer que eu conseguiria dizendo que era fácil e que eu não precisava ter medo. Eu estava a uns cinco metros no chão! Comecei a rezar... Dei um passo... Ave Maria, cheia de graça... Outro passo... O Senhor esteja convosco... Mais um passo... Ai moço do céu, Nossa Senhora... Bendita sois vós entre as mulheres... Se eu morrer, eu quero avisar minha mãe, Deus, senão ela me mata... Então senti uma pressão na cintura, era o monitor me puxando para a plataforma pela corda de segurança. GENTE, A CORDA DE SEGURANÇA! Se acontecesse de eu cair, ela iria me segurar! Daora, a vida!
Enfim na plataforma e convencida da segurança da corda de segurança, passei para o próximo nível, que era uma espécie de teia de aranha em que eu tinha de me agarrar. Passei por ela numa boa. Depois passei por alguns troncos retorcidos de árvores que balançavam demais, mas sobrevivi, confiante na cordinha de segurança. Puxa, é cordinha mesmo, pensei. Mas é segura, ou não estaria aqui, né? Peraí, não teve uma menina que pulou de bungee jump e a corda estourou, lá na África? Ai meu Deus, avisa minha mãe que eu vou morrer, avisa lá, avisa lá... 
- Ô moça, vira pra mim pra eu encaixar sua corda na tirolesa. - eu estava agarrada na árvore em que estava a plataforma com os braços e as pernas.
- Moço, eu bem queria, até porque eu não tenho medo de tirolesa, mas eu to é morrendo de medo porque a árvore tá balançando muito e eu sei que ela vai cair.
- Ah, você sabe que ela vai cair, então?
- Claro moço, certeza. Eu preciso me segurar pra, no máximo, quebrar alguma coisa.
E não é que o homem ficou rindo da minha cara? Indignada com aquilo, me virei, corajosa que sou, e quase caí desequilibrada. Deu tempo de ele pegar minha corda e me prender na tirolesa. Aaah, a tirolesa. No final das contas, a coisa menos radical daquele treco. Enquanto sentia o vento batendo no meu rosto, pensei Caramba, eu posso dar xilique, né, afinal sou mulherzinha. Mas e o Du? Deve estar morrendo de medo e nem pode demostrar! Ai gente, tadinho!
Quando desci da tirolesa, o Dudu chegou logo atrás de mim. Assim que o rapaz soltou sua corda, chamei ele de lado, afim de não expor o medo dele, né, e perguntei se ele estava bem e se ainda estava com medo.
- Ainda com medo? Mas aquilo é tão tosco! Eu até confesso que fiquei com medo da árvore cair por causa do vento forte. 
- Mas você não sentiu nem dor de barriga?
- Não, e você, Macia?
- EU NEM SABIA MAIS O QUE ERA TER BARRIGA, MEU FILHO
Nós dois perdemos o bingo pelo mesmo número!
 Depois disso, os dias foram regados a bingo (no qual deixamos de fechar a cartela várias vezes pelo mesmo número), bilhar, jogos de carta, caminhadas e cavalgadas. A minha égua era a Catarina, leeeerda que só ela, mas que era a aventura radical que eu estava procurando.
Eu e a Catariiiina :)


Vida boooa com meu vida ;)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Marina e Fernanda e Eu

Estávamos desenhando uma árvore genealógica; eu, na lousa, eles, no caderno.
- Gente, eu vou desenhar a minha família aqui na lousa, mas vocês devem desenhar a família de vocês.
Fiquei alguns segundos me perguntando se deveria utilizar o giz branco ou alguma outra cor para desenhar o rosto, acabei optando pelo branco mesmo. Enquanto desenhava a mother, Marina me perguntou:
- Sua mãe veio do Japão, tíxer?
- Não, Marina, olha o cabelo dela, enrolado.
- Adoro cabelo enrolado, tíxer. Queria ter vindo de onde sua mãe veio.
- Minha mãe veio de São Paulo, Marina. E você também tem cabelo enroladinho, olha que lindo!
- Ah, tia, eu também quero vim de São Paulo! E eu quero o cabelo igual do seu desenho! E esse aí, dormindo, é seu pai?
Então interrompe Fernanda, curiosa, enquanto eu desenhava o father.
- Seu pai é japonês, tia?
- É sim, meninas.
- Ele veio do Japão?
Na verdade, ele não veio do Japão. Quem veio do Japão foram os pais dele, meus avós. Mas eu quis encurtar a história:
- Veio, sim.
Nessa altura, a Marina já tinha voltado ao seu lugar e não estava mais preocupada com o rumo da prosa. Mas a Fernanda fez questão de se levantar e vir até mim, com um ar de preocupação que me contagiou.
- Ele sobreviveu ao tsunami? - sua voz de preocupação saiu uma oitava mais alta que o normal.
- Sobreviveu, sim, não precisa se preocupar, gatinha.
- Eeeeeee, gentee! - nesse instante, a sala inteira parou de desenhar para prestar atenção na Fernanda. - O pai da tia Maria Luiza sobreviveu ao tsunamiiii! Eeeeee!
E todos gritaram de felicidade.
E eu quase mordi as bochechas de todo mundo, né? Porque a teacher também não consegue se conter de felicidade :D

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pietro e Eu

Vem Pietro, todo interessado.
- Tia, não entendi o que é pra fazer nesse exercício.
- Olha, meu amor, coisa linda da tia, bochechudinho da minha vida inteira! O que que é mesmo que você me perguntou?
- Eu não entendi esse exercício, tia. Me explica? - A curiosidade ainda pairava em seu olhar, acompanhado de um pouco de lisonjeio.
- Explico sim, coisa gotosa, tutuzinho maravilhoso. Que exercício que é mesmo?
- Esse aqui, tia - e já demonstrava certa irritação -, dá pra explicar?
- Amorzinho da minha vida...
E Pietro interrompe, bruscamente.
- Tia, eu sei que eu sou lindo, sou fofo, sou uma coisa gotosinha, sou o amor da sua vida, MAS DÁ PRA ME EXPLICAR O EXERCÍCIO?
- Aaai como ele fica lindinho bravinho, bebezinho fofo!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Senta que lá vem história

Veeeash, quanto tempo.
Bom, minha vida deu uma boa guinada nesses últimos tempos. Terminei a faculdade e fui contratada para trabalhar como Teacher, indicação de uma grande amiga da faculdade, a Juh Loira, que não é loira, mas pretende voltar a ser. Seu cabelo é um mistério para a humanidade ahehaiue.
Enfim, o que houve nessa minha contratação foi basicamente um déja-vu (greve dos bancos, dos correios, tudo o que houve aqui), mas as coisas se resolveram bem mais rápido.
Eu estava trabalhando de manhã na escola particular como professora e à tarde na secretaria da escola estadual, até que me ofereceram mais oito aulas na particular, no mesmo horário. Aceitei a oportunidade e resolvi sair da escola estadual. E é aí que começa a polêmica.
Desde quando entrei neste cargo (Agente de Organização Escolar, pra ser mais exata), eu já tinha em mente que não seria nada duradouro. A intenção era trabalhar lá até eu concluir a faculdade, e depois seguir minha vida na profissão que escolhi pra mim. Acontece que era pra eu ter me formado em 2010, mas mudei de faculdade, como já comentei aqui, e a conclusão do meu curso ficou para julho deste ano. Quando eu me vi com o curso concluído, percebi que eu não tinha saído do lugar. Sacomé, achei que ao concluir a faculdade iria explodir uma ótima oportunidade na minha cara. Fui aprovada no concurso PEB II do Estado, mas ainda não fui convocada. Perdi as esperanças com esse concurso e resolvi fazer uma inscrição, também no Estado, para trabalhar como temporária mesmo. Eu havia me decidido a largar o trabalho até o final do ano.
Até que, de fato, explodiu a ótima oportunidade na minha cara, e eu fui dar aulas de Inglês para crianças do 2º ao 5º ano. Nem preciso dizer que babo naquelas kids, né? 
Então comecei a levar trabalho da escola particular pra escola estadual, misturar as coisas, deixei de cumprir prazos na Estadual e me tornei uma funcionária relapsa (o que acho feio, mesmo sendo característica do funcionarismo público brasileiro). Sem contar que eu estava muito cansada, acordando cedo e indo dormir tarde. Mas os planos ainda eram de aguentar até o final do ano no Estado. Até que me ofereceram mais oito aulas de manhã, nos 6ºs e 7ºs anos. Aceitei a proposta de manhã e, à tarde, eu estava na escola do Estado explicando ao meu diretor que iria exonerar. Ele propôs um adiantamento das minhas férias, que estavam marcadas pra Novembro, e acabaram começando dia 13 deste mês. Aceitei a proposta e, assim que minhas férias acabarem, eu assino a carta de exoneração.
A polêmica toda da qual comentei se trata dos comentários e conselhos que ando ouvindo por esse mundão de meu Deus. A maioria diz que é uma loucura largar um emprego público para arriscar na empresa privada e que eu deveria pensar bem. SÓ QUE EU JÁ PENSEI BEM, MEU AMOR. As pessoas que realmente me conhecem sabem muito bem que quando decido algo é porque foi muito bem pensado. E quando digo algo, é porque está mais que decidido. E, se procuram explicações para minha decisão, lá vai:
Cargo Público                         X                            Teacher
Estabilidade                                                           Vulnerabilidade
Salário baixo                                                          Salário muito bom
40h/semana                                                            20h/semana
Serviço chato                                                         Serviço prazeroso
Deu 3x1 para ser Teacher. E mesmo que desse 10x0 para o cargo público, ser teacher é a minha paixão. Não há nada no mundo melhor que cantar You Are My Sunshine com vinte bochechudinhos cheios de vida. E eu quero me dedicar a essa profissão de corpo e alma. Quero ter tempo para programar uma boa aula pra eles. E para corrigir suas atividades. E para amar essa minha profissão.
Ufa!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Quando a aprendizagem supera o cansaço

Depois de um certo tempo - e, acredite, não tanto tempo - a vida vai...
...Vai perdendo a graça, como uma piada contada várias vezes.
...Vai perdendo a empolgação, como uma festa preparada com todo requinte e vai acabando aos poucos, com cada convidado indo embora, deixando apenas a bagunça e você sozinho para arrumar tudo.
...Vai perdendo a força, como os atletistas de tiro rápido, desacelerando conforme o fim vai chegando.
...Vai enjoando, como quando a gente faz um panelão de brigadeiro e as primeiras colheradas são deliciosas, mas ninguém aguenta muito...
... Vai ficando enfadonha, como uma promoção no emprego que, a princípio, só se mostra cheia de benefícios, e depois te sobrecarrega com as responsabilidades.
Depois de um certo tempo - e, acredite ainda, não tanto tempo - a vida vai se desgastando, criando casca já podre, fruto de um ser que não aprende com suas experiências e que, com o tempo, não tanto tempo, memoriza somente as ruins.
Depois de um certo tempo só o que resta é o pouco que se viveu e o muito tempo desperdiçado, descansando uma paz que só foi sua no único tempo em que se valoriza a vida: a infância.
Por algum jogo do destino, do acaso, de Deus ou de Steve Jobs, percebo-me cada vez mais gostosa com a vida. Não só por eu ser gostosa, isso eu sempre fui; mas por eu me sentir feliz com a vida. Os adultos questionam e se preocupam com coisas desnecessárias. Não há fundamento na preocupação de ir dormir porque tem que acordar cedo. Há fundamento na preocupação de saber que hora vai passar o desenho do Super Choque. Não há fundamento em querer estudar para ter uma carreira melhor. Há fundamento em querer ir para a escola para encontrar os amigos, para papear no recreio, para descobrir que 13 em Inglês tem uma pronúncia engraçada, meio tortin. E, pelas barbas de Chuck Norris, não há explicação no mundo que justifique trocar o brincar pelo trabalhar, o ser pelo ter, o se divertir pelo comprar, a espontaneidade pela compulsão.
Revivo cada brilho no olhar que tive na minha infância convivendo com essas crianças. E me envergonho por ter parado de sentir essa necessidade tão grande de viver que elas têm. 'Tia, meu primeiro dente caiu!'; 'É, mas o meu caiu primeiro!';'Tíxer, ontem minha mãe fez bolo de chocolate! Aí eu comi tanto que eu fiquei com dor de barriga, hihi'; 'Pofessôra, may I go no banheiro?'...
E nós, logo nós, adultos, que nos achamos tão inteligentes, temos tanto a aprender com esses seres que sabem, de fato, viver: as crianças, a melhor coisa que Deus inventou.